Fragmentos

Outro dia eu viajei.
Viajei literalmente e descobri conexões diferentes.
Escutei cada palavra como se fossem ditas ao pé do ouvido e só pra mim.
Absorvi novos conhecimento e consegui me enxergar por dentro.

Vi uma luz tão potente que podia cegar.
Vi uma nuvem negra indo embora.
Senti uma força revigorante.

Te juro, foi real.

O céu pareceu mais baixo, as ideias fluíram e a alma se acalmou.
Eu consegui, finalmente, ter o controle de tudo isso.
Consegui entender o que essas coisas queriam me dizer.

E foi assim que eu lembrei que todos os corpos são feitos de reações, de conexões.
E com a gente não poderia ser diferente.
Reativei laços, reencontrei partes e busquei o que tava faltando.
E por isso, consegui me conectar de uma forma nova.
Velha, na verdade.
Mas, mais leve, mais tranquila e mais forte.

Quando voltei, tinha paz dentro de mim.

As vezes, basta um movimento pra gente receber uma boa dose de sabedoria.
E é preciso estar atento pra não perdê-la.

Meu amigo… se você soubesse o bem que tudo isso me fez, não teria esperado tanto.
Mas talvez a demora tenha me feito crescer de um jeito mais puro.
E agora eu quero agradecer.
Obrigada.

[Mini Conto] s/nº

Estou rodeada de pessoas.
A música, o barulho, os corpos em movimento.
Um brinde.

A hora passa.
E a lua está ali, cheia, linda e reluzente.
Um brinde.

A hora passa.
As pessoas se vão, o som diminui e eu me pego pensando em você.
Olho pra lua.
Ela ainda está lá.

A hora passa e ali fico, contemplando a sua beleza.

O sol começa a nascer.
Os minutos se passaram e a lua se foi.
Por alguns instantes, achei que levaria com ela os meus pensamentos.
Você.

O sol nasceu e continuo pensando em você.
Sem brinde.

A hora passa.
E eu continuo esperando você passar.

[Ilusão]

Eu seguia desviando de obstáculos – de muitos deles.
Era uma luta constante que cansava, machucava. Esgotava.
No fundo eu acreditava que valeria a pena, que possuía um escudo, uma proteção.
Um porto seguro que eu mesma criei.
Talvez eu tivesse criado aqueles obstáculos também. Mas não importa mais.
O fato é que eu cai.
Cai sem que ao menos houvessem pedras em meu caminho.
E quando consegui me levantar, percebi que algumas coisas haviam mudado.
Não precisaria mais lutar, pois já não haviam barreiras a serem superadas.
Tudo havia desaparecido.
Mas, havia sumido, também, algo dentro de mim.
Algo que levou os meus sonhos, os meus desejos e os meus planos.
Agora estou aqui, de pé, pronta para seguir em qualquer direção.
Não vou mentir, de vez em quando olho para trás.
E o caminho de lá também está livre.
É como se cada passo que dei não passasse de uma ilusão.
Ilusão que eu mesma criei.
Sem barreiras, sem sonhos, sem planos.
Cheio de um vazio que só eu sou capaz de sentir.

[ELE]

Chegou na minha vida como um furacão
Ou como uma droga.
A cada dia que passava precisava de mais uma dose.
Acontece que a dose de ontem já não era suficiente hoje.
Eu queria mais.
Eu precisava de mais.
Mas, quanto mais eu queria, mais escassa essa dose ficava.
A abstinência me deixou louca.
Hoje estou na reabilitação.

O Trio

Primeiro o ciúmes, depois da loucura e, para finalizar, o desdém.
Não chegaram juntos. Vieram em doses homeopáticas.

O ciúmes deu as caras quando encontrou com a licença poética de dois personagens inventados. Se sentiu traído por uma verdade que nunca existiu.
Jurou por tudo que iria descobrir o que aquilo significava – e era apenas um romance que nunca existiu.

Já a loucura… Bom, essa não dá aviso prévio. Chega pegando fogo, atropelando tudo e todos pela frente. Quando você vê, já se feriu.
Ela veio quando leu um relato de terceiros e o projetou em outro alguém, como se todas as palavras lidas e faladas representassem alguém que nunca as escreveu ou proferiu. A loucura vomitou ofensas do seu jeito tão espontâneo quanto cruel.

E o desdém. Acho que está claro que ele não tá nem aí para nada. Na verdade, pra ele, um romance, um poema, um amor ou uma dor não significam nada. Se não tiver cor e forma, não representam absolutamente nada. Para ele, nada seria motivo de admiração. Nada disso importa, tudo é apenas um drama de alguém que não sabe fazer uma linha reta ou algo do tipo.

E assim, em doses ínfimas, os três causaram danos e deixaram marcas. Na verdade deixaram linhas incompletas e páginas em branco… nada que seja irreversível.
Talvez, muito talvez, esses três sejam apenas grandes desculpas pelas lacunas que ficaram abandonadas.

Dois curtas lindos

Se as vezes falta inspiração, há centenas de artistas que nos presenteiam com uma boa dose de criatividade e trabalhos magníficos.
É o caso de dois curtas que vi esses dias e, por ter achado incrível, resolvi compartilhar aqui.

O primeiro deles leva o título de Likeness e é feito por ninguém menos que Rodrigo Prieto, renomadíssimo diretor de fotografia. Para quem não sabe, o mexicano já trabalhou em grandes produções como O Lobo de Wall Street, Argo, Biutiful, Abrazos Rotos e centenas de filmes que eu amo (e você pode procurar na internê ou clicar aqui)!

Voltando a falar sobre o Likeness… o curta mostra a distorção de imagens e transtornos alimentares de uma jovem, vivida por Elle Fanning.
O filme retrata muito bem o que se passa na cabeça das meninas que sofrem com esse tipo de problema. O curioso é que a concepção do vídeo contou com a ajuda da filha de Rodrigo, que sofreu de bulimia no início da adolescência.
“Definitivamente, eu diria que, se alguém está no meio de uma luta contra um transtorno alimentar, é um possível gatilho. Você precisa estar numa circunstância muito estável para encarar esse sentimento”, disse a filha de Prieto sobre o vídeo.

Então, bora assistir?

O segundo curta chama En Puntas.
Imagine uma bailarina se preparando para dançar em cima de um piano de cauda, dentro de um teatro com iluminação quente e cortinas de veludo vermelha. Pois bem… Como se fosse uma grande caixinha de música, a protagonista tem facas afiadas nas pontas de suas sapatilhas.
Ela dança, gira, gira, gira, até a exaustão. Luta para manter-se equilibrada.
A sensação é de uma personagem que busca a perfeição através de seu esforço e dor.
O filme é frágil e ao mesmo tempo cruel, e tenho certeza que a sua respiração vai ficar um pouco acelerada conforme a bailarina for dançando.

Quem assina o curta é Javier Perez – cujos trabalhos são voltados às condições humanas: beleza e crueldade, fragilidade e violência , cultura e natureza, e vida e morte.

Watch

E aí, gostaram?

OBS: O primeiro vídeo eu vi no lindo blog de moda e comportamento, The Style Notebook.

[Se eu pudesse]

Se eu pudesse voltar no tempo, não teria falado daquele jeito.
Se eu pudesse voltar mais ainda, talvez não tivesse discutido por aquilo.
Voltando ainda mais, não teria chorado.
E nem diria aquelas palavras.

Se eu pudesse voltar, não teria brigado por aquela besteira.
Não passaria aquelas noites em claro.
E mais ainda, não teria que dormir sem seu abraço.

Se eu pudesse voltar, teria feito diferente.
Teria confiado em você.
Compreenderia mais para você poder me entender também.

Se eu pudesse voltar, jamais deixaria esse abismo entre nós.
Tomaríamos um porre e riríamos de todas as tolices.
Lá atrás, eu teria aceitado mais coisas.
E talvez você evitasse outras.

Se eu pudesse, voltaria no tempo.
Te traria para perto, como você já esteve.

Se eu pudesse, voltaria mais ainda.
Para recomeçar como começamos.

Se eu pudesse voltar, estaria lá atrás.
Bem longe de você e morrendo de vontade de estar perto.

Se eu pudesse voltar…
Sim, eu voltaria.
Porque lá atrás, eu largaria tudo de novo para vir correndo até você.

Se eu pudesse voltar, talvez tudo fosse diferente.
Mas eu não posso ir até lá.
Então como faremos daqui pra frente?