Throw up

Dizem que os nossos sentimentos são diretamente proporcionais às emoções que vivemos. E cada dia que passa tenho mais certeza disso.

Sim, esse post é pra você. Pra você mesmo, que já foi a razão dos meus sorrisos matinais, dos sonhos mais lindos, das vontades mais sinceras. Pra você, que dava sentido para cada música, para cada noite em claro e pelo frio na barriga. Esse post é pra você, que me fez sentir algo que nunca imaginei que fosse capaz.

Poderia ser mais uma daquelas idiotices românticas que eu costumava te escrever, escancarando tudo de lindo que eu tinha aqui dentro, me desnudando e fazendo papel de idiota pro seu show particular. Mas não é. Desta vez, é somente um desabafo para poder me livrar disso de uma vez por todas (ou tentar).

Eu queria que você soubesse o que eu estou sentindo, mas acho que você nunca vai entender. Sabe por que? Porque você não consegue se entregar de verdade e sentir que existe algo diferente do que o “eu, o ego e o foda-se o mundo”.

Fico pensando e repensando e pensando de novo em como você consegue. Como você conseguiu, na verdade. Como você dormiu em paz e tranquilo? Como você conseguiu olhar pra mim e dividir aqueles momentos? Como você pode fingir por tanto tempo? E como EU consegui me cegar desse jeito?

O que eu sinto neste momento é uma decepção que não tá cabendo dentro, tá transbordando. E o pior é que ela do mesmo tamanho de toda essa estupidez que eu sinto, sentia ou sei lá o que, por você.

Pra mim era real, tá? Pra mim era de verdade. Por mim seria pra sempre.
Mas ainda bem que foi assim. Não sei se conseguiria ser feliz sabendo que nunca seria importante para você. Não seria uma pessoa completa em dividir os meus sentimentos, meus sonhos, meus medos, meus planos com alguém que consegue olhar nos meus olhos e mentir, como se quisesse atestar o quanto eu posso ser medíocre.

Obrigada por ter me mandado seguir.
E olha que ironia, talvez isso pudesse ser algo nobre da sua parte se você tivesse feito por mim. Mas não, foi somente por você, pensando em você e pelos motivos que você sabe quais são (sim, aqueles que traem não só o físico, mas o emocional também).

Por fim, se quiser ser alguém melhor ou se quiser “se importar” com algo que não seja você mesmo, gostaria de ouvir algumas coisas.
Talvez eu espere por isso.

 

Despertar

Saio hoje como quem sai de um sonho perdido em um momento de lucidez, sem dizer tchau, nem até logo. Saio melhor do que quando entrei.
É isso. Às vezes, é preciso ter o coração petrificado para não perder o brilho nos olhos e poder acredita que sim, vale a pena lutar, sim, nem tudo é mentira e, sim, há algo a mais.
Por isso, me resta caminhar, seguir em frente sem me virar para trás ou tentar recolher os restos que ficaram.
Não quero migalhas. Elas não sustentam, não servem de nada. São apenas um lapso de piedade, que também não servem de nada. Não mudam o rumo, não chegam ao destino.
Não quero ser apenas sombra. Não quer ser apenas sal.

Destino

Tem gente que acredita no destino, nos acasos da vida, no “tinha que ser assim”.
Eu não sei…
Pra mim, acreditar em destino é uma forma simplista de se livrar de nossas próprias escolhas e responsabilidades.

Acredito que a gente seja o único responsável por escrever nossa história, por mudar o rumo e os caminhos.
A gente cai nas próprias armadilhas, a gente se engana com os nossos próprios sentimentos.
Somos, inclusive, capazes de nos cegar do que não queremos enxergar.
E pior (ou melhor) de ver as coisas como queremos.

Não, não foi o destino que me trouxe até aqui. Foi o caminho que eu escolhi seguir.
Não foi o destino que me mandou por este caminho. Foram as escolhas que fiz nesse meio tempo.
Não foi o destino o responsável pelos meus erros ou acertos. Foram as formas que eu enxerguei de lidar com todas as situações.

É aquela coisa… Atitudes e consequências e não o “tinha que ser assim”.
Apenas foi, apenas é e vai ser do jeito que a gente decidir conduzir.
Nem sempre é bom, mas ai a gente aprende. E se a gente aprendeu alguma coisa é porque valeu a pena.

Sei lá, isso é só um desabafo.
Pode ser que amanhã esse mesmo destino cruze minha vida e, quem sabe, eu pegue uma carona com ele pro lugar aonde ele resolver me levar.
E se eu fizer isso, vou continuar a ser a única responsável pelas novas experiências e descobertas até chegar lá.

Mini Conto [22]

Parece que tudo aconteceu em um piscar de olhos.
Mas não começou agora.
Eles apenas se deram conta do turbilhão de emoções em que se encontram.
É como se um atraísse o outro para o mesmo lugar e, por mais que não quisessem estar neste ponto, são incapazes de fugir.
Como um ciclo vicioso, onde o vício tem nome, rosto e gosto.
Onde o desejo fala tão alto que passa por cima de qualquer melindre, sem perder a sua delicadeza.
E então, certos pudores abrem espaço para sentimentos que lutam para não serem reais.
Mas, quanto mais lutam para isso cessar, mais se aproximam, mais se viciam entre si e mais permitem florescer certos sentimentos.
Agora se encontram entre o medo e o desejo, mas ainda não decidiram com qual vão ficar.
Apenas descobrem que as coisas ganham cada vez força e que juntos vão chegar em algum lugar.

[Mini Conto] 21

Entre as surpresas do novo encontro, antigas vontades.
Emoções misturadas, como os corpos deveriam estar.
Mas não estiveram.
Eram apenas palavras desconexas e verdades omitidas.
Tão intensas que foram capazes de desordenar o caminho, o rumo e o futuro.
Tudo que foi capaz de levar deste breve embate foi uma nova despedida.

SEREIA

“Para se defender da sereias, Ulisses tapou o ouvidos com cera e se fez amarrar ao mastro. Naturalmente – e desde sempre – todos os viajantes poderiam ter feito coisa semelhante, exceto aqueles a quem as sereias já atraíam à distância; mas era sabido no mundo inteiro que isso não podia ajudar em nada. O canto das sereias penetrava tudo e a paixão dos seduzidos teria rebentado mais que cadeias e mastro. Ulisses porém não pensou nisso, embora talvez tivesse ouvido coisas a esse respeito. Confiou plenamente no punhado de cera e no molho de correntes e, com alegria inocente, foi ao encontro das sereias levando seus pequenos recursos.

As sereias entretanto têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio. Apesar de não ter acontecido isso, é imaginável que alguém tenha escapado ao seu canto; mas do seu silêncio certamente não. Contra o sentimento de ter vencido com as próprias forças e contra a altivez daí resultante – que tudo arrasta consigo – não há na terra o que resista.”.


Trecho de “O Silêncio das Sereias” – Franz Kafka

Já dizia Kafka que só os tolos querem medir forças com as sereias.
Enquanto Ulisses pensava enganá-las, elas mostraram a real força do seu poder.

Para elas, não vale a pena seduzir os ingênuos e mostrar todos os seus encantos.
Para estes, elas dão apenas seu silêncio.

 

Dessintonia

Sim, estamos desconexos.
Tanto que nos pontos cardeais eu era sul e você norte.
Tão desconectados que o oriente e o ocidente nunca estiveram tão distantes.
Como pimenta e ausência de sabor.
Como saudade e indiferença.

Enquanto você sorri, eu derramo algumas lágrimas.
Enquanto seu corpo está quente, eu esfrio.
Assim, o seu tempo voa, o meu se arrasta.
Você continua. Eu permaneço.

Sim, eu sei, estamos em dessintonia.